Artes Visuais e a Luta Contra Violência Doméstica

O White Ribbon Day, hoje à tarde, na Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers (MAPS) de Cambridge foi, sem dúvida, um grande sucesso e nós de Sirocco Blue estende o nosso agradecimento a Edna DaCosta pelo convite tão agradável. Foi, na verdade, o nosso primeiro evento de MAPS e a terceira oportunidade de conhecer a equipe talentosíssima dos vários centros da organização em East Cambridge, Brighton e, o mais recente, em Framingham.

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Ao redor de setenta pessoas participaram para promover a paz, as relações saudáveis e o respeito entre seres humanos. O grupo fortíssimo de prevenção e proteção contra a violência doméstica da MAPS estava presente e vários membros apresentaram artistas visuais da comunidade cuja arte estava em exibição.

Ao falar da sua obra, o pintor José Santos compartilhou aspetos de violência nos seus quadros e como ela tem implicações nas representações da terra e da natureza no seu trabalho. Ele entende sua obra como um ato autobiográfico e alguns dos seus quadros procuram criar canais para a violência para que o publico possa ver seu impacto na vida. Lineu Zadereski, ao apresentar a sua obra, falou do respeito e da necessidade para amar os outros. Explicou padrões na sua obra—figuras com um olho aberto, simbolizando o poder, e um olho fechado simbolizando a sabedoria—para levantar à discussão a importância de exercer poder com entendimento do outro, com respeito pro outro.

O depoimento de Emanuel Silva encapsulou o objetivo da noite—de permitir que os homens artistas compartilhassem a importância de ter solidariedade e união para proteger os direitos humanos de mulheres sobreviventes de violência doméstica. Com toda sinceridade e honestidade, o pintor falou do lado feminino de cada homem, do ato de criar, do ato de pintar e a dedicação a o que alguns entendem como o lado ‘feminino’ do homem. Talvez se tivesse mais auto-reconhecimento desse lado ‘feminino’ que é, para o pintor, a essência da criatividade, houvesse menos casos de abuso doméstico, mais compreensão dos direitos humanos da mulher e, com certeza, um entendimento de que os homens também precisam participar na prevenção de violência doméstica e do apoio para as suas vitimas e sobreviventes. Terence Tavares, cuja obra será o tema central dum próximo post, é um artista das encruzilhadas em todos os sentidos. As figuras numa serie de jornadas encontram-se em vários momentos críticos: o de ter a visão do futuro e dos objetivos; o do medo e a auto-crítica, os obstáculos e as dificuldades; o do prosseguir sem medo e voltar à comunidade para compartilhar o vivido. Estres três momentos talvez sejam comparáveis com os passos de relacionamento saudável e um tipo de medicina para a paz.

Um membro da comunidade compartilhou a sua historia com a violência doméstica, mostrando a importância de ter apoio que atravessa barreiras de língua e cultura e classe social: o tipo de apoio que MAPS oferece à comunidade não só de Boston, senão do estado inteiro. Seu depoimento iluminou a destrutividade da violência doméstica e como sempre precisa ter uma comunidade para apoiar os sobreviventes e seus familiares, especialmente quando seja imigrantes com medo de chamar atenção de autoridades e policias por não saber das leis protetivas.

Como as artes visuais foram o centro do evento e como na próxima semana haverá um encontro de alunos e também de música, gostaria de fazer uma proposta cartográfica, ‘jogando’ com o dobre significado de MAPS. Proponho um mapeamento das comunidades lusofalantes e crioulo-falantes de Massachussetts, destacando áreas de artistas, escritores, músicos, pessoas no âmbito de produção cultural e de educação, lideres sociais e figuras históricas. Proponho que esse MAP (do inglês por ‘mapa’) seja o fruto de um lindo projeto de historia oral. Seria, ao final, um programa de promover e aumentar a visibilidade da organização e talvez um programa que poderia ser financiado por doações e bolsas do estado. Seria, ao final, o primeiro mapeamento deste tipo de Massachusetts, um ‘map’ feito por MAPS. Poderíamos permitir que os artistas visuais usassem esse conceito de mapeamento num mural ou projeto coletivo com a comunidade.

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